quinta-feira, 23 de abril de 2009
Aulas dos dias 21/04, 23/04, 28/04 e 30/4
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Aulas dos dias 14/04 e 16/04
terça-feira, 14 de abril de 2009
Aulas dos dias 31/03 e 02/04
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Ilusões Perdidas
O livro narra a interessante história de Lucien, jovem escritor que resolve tentar a vida em Paris, desenganado pela falta de oportunidades no interior onde vive. Após o fracasso com a tentativa de venda de seus livros, bem como um amor mal acabado, o personagem resolve enveredar pela profissão de jornalista, assumindo riscos previstos por seus amigos. Mulheres e livros são apenas algumas das muitas frustrações e ilusões que se apresentarão à vida do ingênuo Lucien.
O próprio título do livro já retrata muito sobre o que se vai ler, uma vez que o cerne da história baseia-se em realidades ilusórias para o protagonista, que nada se torna além de mera marionete, persuadida por falsos encantos. Ao discorrer a cerca da jornada do protagonista, Balzac retrata, de forma crua e direta, a realidade dos bastidores do jornalismo no séc. XIX, desiludindo muitos daqueles que pretendem seguir a profissão. Desmascarando os interesses por trás de cada linha de uma matéria e como os posicionamentos e opiniões podem mudar através de um simples tilintar de moedas, a faceta jornalística é rapidamente transformada em algo antiético e, por que não dizer, inescrupuloso.
Personagens oportunistas, vaidosos e guiados por seus instintos mais egoístas pintam um quadro bastante intrigante perante a comunicação. Profissionais cujo objetivo principal volta-se para a instrução, para o comunicar, tornam-se ferramentas maleáveis segundo os objetivos e interesses dos mais poderosos. Balzac suscita, através do perfil de seus personagens, o verdadeiro (para a época) caráter do jornalista, que na verdade se vale da sua retórica para manipular seus leitores.
Apesar de louvável o escancarar da profissão proposto por Balzac, há de se perceber que o contexto e a época mudaram, e com eles certos posicionamentos que não cabem mais em uma sociedade letrada e instruída. Há, indubitavelmente, aqueles profissionais que fogem à ética e se usam de artifícios segundo os seus interesses ou de terceiros, mas isso ocorre em qualquer ofício, embora o jornalismo adquira uma conotação mais séria, dado o caráter informativo da profissão. Portanto, é importante que se esteja atento aos deslizes de jornalistas e escritores incoerentes com o seu serviço, mas não se deve generalizar de tal forma a pô-los em um patamar tão baixo a ponto de não haver espaço para os que assumem uma postura séria com a profissão.
