Provavelmente Gutemberg, ao inventar a imprensa em 1450, não deve ter imaginado as proporções que sua criação viria a tomar séculos mais tarde. Do contrário, teria se arrependido no instante em que a fez. Os meios de comunicação tornaram-se independentes, e ainda que tal autonomia implique consequências devastadoras, a barganha midiática é irredutível.
Segundo o dicionário, comunicação é o ato ou o efeito de “tornar comum, fazer saber”. Entretanto, cabe a pergunta: tornar comum o quê? O desempenho da mídia, a cada dia, confunde-se mais com o papel de uma empresa que, na ânsia do lucro, opta por vertentes nem sempre coerentes com a qualidade da substância a ser informada. Sensibilizada pela ausência de conteúdo, a sociedade do consumo é vítima da alienação, do desinformar e da demência.
Há que se perguntar se a mídia não se está apenas agindo guiada pelo princípio da sobrevivência. Entretanto, no instante em que esse instinto transforma-se em oportunismo, o questionamento vira crítica, e atitudes devem ser tomadas. Os canais de comunicação são veículos privados e, como qualquer órgão capitalista, visam ao ganho. Portanto, sua responsabilidade com o conteúdo propagado é questionável e, na maioria dos casos, condenada. O povo ovaciona programas débeis, ilustra personalidades com forma, mas sem conteúdo, sem mencionar a idolatria cega. Em meio a um bombardeamento de “informações” vagas, não há como pedir da sociedade uma visão crítica, posto que a formação desta está, obviamente, vinculada aos meios de informação, corrompidos.
O grande problema não se encontra no convívio entre boa e má informação, mas no predomínio da segunda, usado com o intuito de bestear a população para que esta não se torne ciente e crítica das situações que a cercam. A mídia dá ao povo o que o povo quer. Mais que isso: induz as pessoas a quererem o que ainda não desejam. Isso não é tornar comum, fazer saber, estabelecer entendimento; é assumir para si o protagonismo na alienação das massas.
Talvez seja utópica a mudança de postura dos veículos midiáticos, mas estar consciente de sua manipulação já é um grande começo. Destarte, o papel da mídia pode estar invertido e maquiado, mas sua essência é clara: informar.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Qual o papel da mídia?
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